sexta-feira, 17 de abril de 2015

Aveia tem Glúten, mas não tem Glúten! Entenda o porquê!!


A aveia não contém Glúten, porém porque em seu rótulo vem escrito que ela contém? Vamos entender o porquê neste artigo!
Todo o rótulo de aveia ou que contenha aveia nos ingredientes, é obrigado a vir escrito que aquele alimento CONTÉM glúten. Isso porque no Brasil e em vários países da Europa a aveia é cultivada e processada juntamente com o trigo, acontecendo o que chamamos de Contaminação cruzada. Portanto, a aveia não contém glúten naturalmente, mas por ser cultivada e processada junto ao trigo em vários países no mundo, ela acaba sendo contaminada pela proteína do trigo: O Glúten!
A proteína da Aveia chama-se Avelina. A aveia é uma excelente fonte de fibras que ajuda em vários aspectos intestinais, além de conter silício, um mineral importante para as nossas articulações. Porém não é indicado para celíacos (quem tem intolerância permanente ao glúten), levando em consideração a contaminação pelo trigo.
Para pacientes que demonstram intolerância, mesmo com essa contaminação, existe a alternativa de comprar AVEIA cultivada e comercializada em seu estado puro, ou seja, isenta de glúten, mas nesse caso tem que ser a importada que pode ser encontrada em lojas especializadas.
Neste contexto, a Avena sativa L, conhecida simplesmente como aveia, reune vários componentes nutricionais (macro e micronutrientes) e não nutricionais (compostos fitoquímicos) que, através inúmeros estudos conduzidos nas últimas décadas, têm comprovado significativa ação benéfica na manutenção ou recuperação da saúde do indivíduo, sobretudo nas dislipidemias (BUTT et al., 2008). O farelo de aveia, particularmente, é fonte importante de minerais e proteína, além de apresentar em sua composição centesimal quantidade significativa (por volta de 10%) da fibra solúvel beta-glucana, polissacarídeo não amiláceo com cadeia linear de unidades de β-D-glicopiranosil unidas por ligação β(1→4) e β(1→3) que, por seu efeito hipocolesterolêmico, faz parte da lista de alegações de propriedade funcional aprovadas pela Food and Drug Administration (FDA) desde 2002 e pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) desde 2005 (FUJITA e FIGUEROA, 2003; United States of America, 2002; BRASIL, 2008).
As propriedades funcionais das beta-glucanas da aveia, evidenciadas fortemente nas últimas décadas, demonstraram diminuição nas concentrações plasmáticas do colesterol total (CT) e da lipoproteína de baixa densidade (LDL-c) após o consumo de alimentos contendo esta fibra solúvel (JENKINS et al., 2002; MAKI et al., 2003; KIM et al., 2006; SILVA et al., 2006; RYAN et al., 2007; QUEENAN et al., 2007). Os efeitos metabólicos exercidos pelas beta-glucanas da aveia são atribuídos a vários mecanismos, como o aumento da viscosidade da mucosa intestinal, devido à propriedade de formação de gel desta fibra, o que interrompe a formação de micelas, inibindo a absorção de colesterol (KERCKHOFFS et al., 2002). O aumento da viscosidade estomacal e intestinal produzido pelas beta-glucanas pode retardar o esvaziamento gástrico, resultando em sensação de saciedade, o que contribui para o controle de peso e redução da glicemia pós-prandial, evitando picos de insulinemia (JENKINS et al., 2002; QUEENAN et al., 2007). Chen e Raymond (2008).
Os estudos abordados evidenciam a aveia como alimento estratégico a ser colocado na alimentação diária do indivíduo, objetivando tanto a prevenção como o tratamento das DCV. Pesquisas recentes têm levantado a hipótese de que a inclusão regular da aveia, para ingestão diária, não só promove benefícios hipocolesterolêmicos decorrentes da ação de seu conteúdo de beta-glucanas, como fornece outros componentes que, talvez, exerçam papel fundamental na prevenção da formação da placa de ateroma (placas de gorduras nos vasos sanguíneos).
Fonte:
Doutora Gisela Savioli – Nutricionista Clínica (dragiselasavioli.blogspot)
– Aveia, colesterolomia e saúde vascular – Sociedade Brasileira de Cardiologia do Rio de Janeiro. (socerj.org.br/aveia-colesterolemia-saude-cardiovascular)

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